quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ai meu olfato!

Dica do que nunca fazer: comprar um camambert e deixà-lo na sua geladeira por cinco dias. Mesmo que ele esteja fechado e no prazo de validade. Mesmo que ele esteja com insufilme e guardado dentro de uma caixa! Eca! Eca! E dà-lhe batata para tirar o cheiro da geladeira....

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Nostalgia

Hoje estou com saudades da vida que jà passou. Acho que devo isso a uma viagem que reuniu queridissimos amigos meus em Viena.
.....
So para os iniciados: Você està sentindo cheiro de cavalo?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Encontros e Despedidas

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Barcelona



Sim, eu sei. Falar que Bracelona é linda, animada, "jovem" (acreditem, para quem mora na Europa, isso faz a maior diferença), tem um clima bom e boa comida virou quase um cliché.

Para falar bem a verdade, eu torcia um pouco o nariz, achava que tudo isso não passava de uma grande moda, e que daqui a alguns anos a cidade "cool" viraria uma outra, qualquer outra, tão jovem quanto, tão animada quanto, etc.

Mas não é que tive que me render aos encantos de Barcelona? Realmente, pareceu-me uma cidade quase perfeita para visitar e morar. A cidade é linda, limpa, alterna bem propostas culturais com diversão ao ar livre, tem praia (nao muito bonita, mas melhor que não ter...), enfim, me pareceu quase perfeita não fosse o catalão (não entendi nada) e aquela secura que desidrata até camelo.

Mas na verdade, queria falar sobre a culinària local, que é extraordinària.

Mais precisamente, queria falar sobre o Sagardi. Sagardi é um bar de tapas, que na verdade é basco, mas combina perfeitamente com Barcelona. Fica instalado numa pracinha no meio do bairro gotico. O principio do bar é o seguinte: eles possuem um enooooorme balcão onde vão colocando pratos cheinho de "pintchos" que saem da cozinha a todos os instantes. Os pintchos são os mais variados e são simplesmente deliciosos.

Cada grupo recebe um prato e fica instalado de pé no balcão ou em uma das poucas mesas. Você mesmo pega o pintcho que quiser e deixa o palito em cima do prato. Simples assim. Você pega o pintcho, não comunica a ninguém, dà umas três mordidas e joga o palito no prato. E por ai vai. Cada pintcho custa 1,80 euros. E ai mora o perigo. Individualmente, eles não são caros, especialmente pela qualidade e pelos produtos utilizados (bacalhau, camarão, jamon serrano, etc). No final, você dà seu prato ao garçon e ele conta os palitos e anuncia a conta. E ai, meu amigo, segure-se. Um endereço "incontournable", come eles dizem por aqui.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Fechado para balanço

Desde a ultima vez que escrevi nesse blog, muita coisa rolou. Fui ao Brasil, reencontrei familia, amigos, cachorro, minha cidade. Vi o mar, impressionei-me com o "cidade limpa", respeitei a lei seca, impressionei-me com o boom econômico e com o otimismo das pessoas.
Sentei-me no terraço e tomei sol em pleno inverno, deparei-me com a inflação dos alimentos, comprovei que o metrô de São Paulo era tão limpo e tão mais agradàvel quanto nas minhas lembranças.
Vi meus amigos melhor profissionalmente, e mais bonitos. Achei todo mundo melhor do que quando eu fui. Os garçons não estavam de mau-humor. Nem no Rio de Janeiro.
Fui a Pernambuco. Estive numa viagem louca numa praia praticamente deserta, num dos lugares mais bonitos em que jà estive na vida. Um lugar onde a àgua do mar é mais quente do que a do chuveiro e onde as pessoas andam de jangada e jantam às 18h30.
Voltei apaixonada por Pernambuco. O Rio de Janeiro continua lindo, mas achei os prédios meio decadentes. Sobretudo comparado a São Paulo, que continua meio feia, mas mais limpa e cada dia mais rica.
Tive mil reflexões durante todo esse periodo. Brasileiro gosta de reclamar, mas a classe média paulistana vive bem para burro. Todo mundo mora em apartamento super grande, bem decorado e ainda por cima tem faxineira. Todo mundo està viajando como nunca viajou antes. Serà a tal emergência definitiva dos paises emergentes?
Segundo, deixei matéria preciosissima no Brasil. Matéria humana. E disso a gente nunca se recupera.
Pensei em não voltar para a França. Pensei que seria uma burrice sem tamanho não voltar. Pensei que de toda a maneira, jà não pertenço a lugar nenhum, e quando acordo no meio da noite, não sei mais onde estou. Então manda bala.
Percebi que esse negocio de encarar uma experiência como definitiva nunca foi a minha mesmo. E quando pensei que ao invés de encarar Paris como minha cidade eterna, poderia pensar "so me resta um ano naquele pais, naquela cidade", então, senti tudo aquilo fugindo entre meus dedos como se fosse areia, e de repente, tudo ficou mais leve.
Pois no Brasil, sou mais livre e menos livre. Uma liberdade dilapidada, como diria o Numa. Nada de passeios pela rua às 3 da manhã, sozinha. E na França, sou mais livre e menos livre. Por motivos completamente diferentes.
No final, estava mais forte. Chorei antes de ir embora. A saudades às vezes pode beirar ao insuportàvel. Mas como disse a mulher da policia federal "chora não. Hoje em dia tem internet, orkut e skype". Ela entendeu quase tudo.
Voltei e fui direto para Barcelona. A Europa me reconquistou. Ainda sou jovem. Ainda é muito cedo para viver definitivamente.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Férias de Verão

-Jà faz mais de uma semana que estou de férias e elas têm sido uma delicia. O verão na Europa é maravilhoso, com os dias longuissimos (tem escurecido quase às 23, amanhecio às 5 da manhã), aquele sol que te deixa uma marca da sua sandalia no pé. Todo mundo està mais livre, leve e solto.
Tenho ido em muitas festas. A primeira dela, logo no dia seguinte que entramos de férias, foi um churrasco na beira de um lago num lugar a 1 hora daqui, na fronteira com a Normandia. Fomos toda a galera de trem, fizemos churrasco, fogueira, fomos dormir às 6 horas da manhã ao relento e acordamos às 9 por causa do calor. Nadamos no lago, andamos de barquinho, foi uma delicia.

-Outra festa deliciosa foi a de despedida do meu amigo do mestrado Marcus. Ele é alemão e vai fazer o duplo diploma com uma universidade de Berlim, então està indo embora de Paris, o que me deixa realmente triste, pois ele é sem duvida uma das pessoas de quem eu mais gosto na minha sala. A festa, no entanto, foi uma delicia. Na hora de voltar para casa, eu e mais varias pessoas pegamos o ônibus circular noturno, que faz um circulo em Paris, passando pelos principais pontos da cidade. O problema é que eu peguei pro lado errado, e como estavamos em grupo, tive preguiça de descer e de pegar para o outro lado. Resultado: demorei 1H30 para voltar para casa. Na ida, de metrô, tinha levado uns 15 minutos.

-é especialmente em momentos como esse que dou valor a morar aqui. Algumas cenas que vivo aqui acho tão improvavel de vivê-las em São Paulo. Como essa, de ficar numa festa até as 3 da manhã sem ter a menor idéia de como vou voltar e no final, sempre conseguir chegar em casa de uma forma ou de outra, considerando que nenhum estudante tem um carro em Paris.
Isso me faz lembrar da lei seca no Brasil, do fato que estarei là no final dessa semana e da minha jà angustia de como vou poder beber uma cerveja e conseguir voltar para a casa....

-Nesse clima de despedidas e festas do inicio do verão, organizei uma festa brasileira para meus amigos do mestrado. Trabalhei muito, fiz pão de queijo (de verdade, não aqueles que jà vem a massa pronta), folheado de palmito, mousse de maracujà, batida de coco, batida de caju, uma decoração com abacaxis, ficou tudo muito bom e a maioria gostou muito.

-Quinta-feira estou indo para o Brasil, depois de tanto tempo. Ansiedade.....

-ah, fotinhos das festas, no flickr

terça-feira, 1 de julho de 2008

Passado (quase) um ano...

O ano letivo terminou. Com isso, terminei meu primeiro ano do mestrado. O primeiro de dois, o que quer dizer, que jà cheguei bem na metade. Pois bem. Vim para a França ficar "no minimo dois anos". E voilà que o primeiro desses dois anos jà passou. E eu continuo mais perdidinha do que nunca.
Achei que como tempo, meu "objeto pequeno A" fosse substituido de "fazer mestrado na França" por alguma coisa que pudesse indicar meu futuro. Mas até agora, nada. Recentemente, ele tem sido explorar meu tema de mestrado ou me preparar para uma viagem de um mês para o Brasil. O que, convenhamos, não tem nada de "obejto pequeno A".
Durante esse ano, nesse blog, tentei contar alguns aspectos positivos dessa minha nova vida. Tiveram muitos que não contei aqui. Quase não falei sobre o meu mestrado, por exemplo, que no final das contas é o motivo principal por eu estar aqui e não me decepcionou. Quase não falei desse maravilhoso mundo acadêmico ou das pessoas interessantissimas e multiculturais que encontrei por aqui. Bref,....
Mes existem outras coisas que praticamente não mencionei aqui e que têm dificultado a definição do meu proximo "objeto pequeno A". A verdade é que nunca tinha sofrido tanto por me sentir estrangeira. Nos EUA eu tinha sofrido um pouco, mas era nova e de qualquer forma, dependente. Na Italia, ser estrangeira era aminha liberdade. E nem me sentia tão estrangeira assim. Aqui, eu abro a boca, e eu percebo o meu sotaque. No auge do meu inglês, as pessoas sme perguntavam se eu vinha de Brazil, Indiana. Na Italia, tinha um sotaque, mas jà cheguei a ser confundida com uma italiana do norte. Mas aqui, é impossivel. Sinto-me como o personagem de Budapeste. Não importa o esforço que eu faça, continuo a cometer vàrios erros, e continuo a estampar aquele sotaque...
Echec!
Mas qual é o drama, você pode pensar? O drama é que essa falta da maestri da lingua me cria uma sensação de dependência. Além disso, acho que para uma jornalista é ainda mais dificil essa situação. Estou cada vez mais certa que não poderia trabalhar com jornalismo por aqui (ou talvez em qualquer lugar fora do Brasil). A não ser que seja algo tipo documantàrio.
Isso reduz as minhas perspectivas.
Um outro ponto importante é a minha relação com a cidade. Paris é linda e todos a amamos, mas ela definitivamente agravou minha claustrofobia. As, vezes, sem exagerar, acho que fiquei com seqüelas psicologicas por ter vivido um inverno em Paris, num apartamento minusculo esmagado entre dois outrs prédios. Jà acordei à noite desesperada, com a sensação que estava sufocando, e tive que ir respirar na janela. Jà sonhei que estava prensada dentro do metrô, e acordei ofegante. Meu Deus, essa cidade é pequena demais para nos todos, serà que vocês não percebem?
Parce que não, ou então as pessoas não esão nem ai, passam na rua batendo e encostando em você, espremendo-se nos cafés, nos metrôs, nas filas, no hall da faculdade e nos cinemas. Preciso de AR! Por favor, abram as janelas, surto de meningite!
Tenho desenvolvido uma certa fobia de gente. Existe isso?
Ao invés de São Paulo, queria ir para o centro-oeste, onde a densidade demogràfica deve ser uma das mais baixas do mundo.